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Cuidado! A internet sabe onde você está

“Cuidado! Seu computador está transmitindo um número de IP!”. Muitos já viram banners mal-intencionados com esses dizeres. Claro, todo computador “transmite” um número de IP, da mesma maneira que toda casa ou prédio tem um número em uma rua. Mesmo assim, não deixa de ser claro o medo que está sendo trabalhado aqui - na internet, “Terra de Ninguém”, a preocupação com a própria segurança, de seus dados, assim como das pessoas próximas sempre foi um ponto de discussão sem fim. Porque, afinal, como garantir a segurança total e ainda se manter conectado?

Recentemente, por outro lado, essa preocupação tem se mostrado menor à medida que a internet é adotada por mais usuários, e o conhecimento a respeito dela e de computadores vai crescendo. Examinando bem, vemos aqui uma vantagem - usuários de maior conhecimento técnico, mais seguros e menos propensos a cair em armadilhas ou boatos. Por outro, o número de informações que os usuários tem disponibilizado a seu respeito (além das que geram mesmo sem sua colaboração) tem crescido fortemente.

Antes de continuar lendo, entre no Google e pesquise seu nome completo com aspas, ou pelo menos o nome com o sobrenome que mais utiliza. A não ser que seu nome seja extremamente comum, é provável que ao menos uma menção a dados seus tenha surgido entre os resultados de busca. Citar o famoso “Big Brother”, do livro 1984 de George Orwell já é praticamente redundante a essa altura.

Já temos muita informação a nosso respeito online que nem mesmo nós somos diretamente responsáveis por colocar. Podemos ter nossos nomes citados em sites relacionados a trabalho, registros de contato, além do caso de amigos ou conhecidos que possam ter nos mencionado em páginas pessoais. Para universitários e vestibulandos, é fácil descobrir que universidades foram prestadas por quais pessoas, assim como colocação geral e, em casos, número de matrícula.

Blogs, nesse quesito, acabam sendo outros grandes geradores de informação. Num blog pessoal, mesmo que não se fale diretamente informações próprias, é fácil de pegar pequenas dicas da vida do(s) autor(es), além de links para blogs e informações sobre conhecidos. Você não assina seu blog? Mas quem pode garantir que outros sites de pessoas que te conheçam não vão se referir pelo seu nome verdadeiro, ou ainda garantir dicas que possam ligar a você?

Mídias Sociais no geral geram outras situações similares. No Orkut ou Facebook, por exemplo, é possível acompanhar, pelas atualizações dos usuários, onde elas foram e locais que frequentam, assim como planos de curto e longo prazo; o que gostam de fazer; quem conhecem e outras informações como gostos, data de nascimento, estado civil etc. Uma breve análise de fotos também pode dizer muito sobre hábitos e classe social. Não tem albuns de fotos online? Mas e seus amigos? Será que não te marcaram em alguma foto?

O Twitter é outro - considerando os seguidores literais do “o que você está fazendo”, é fácil localizar qualquer pessoa, principalmente se essa faz atualizações pelo celular. Não só isso, graças à frequentemente referida “Orkutização do Twitter” - a popularização da ferramenta e crescimento do uso como relacionamento, em vez de informação - o número de mensagens reveladores e/ou privadas de acesso ao grande público só cresce.

Agora, também temos o FourSquare, cujo foco é exatamente a localização. Mídia voltada para locais e endereços para entretenimento, se baseia nas recomendações de usuários para locais que gosta - novamente, o hábito já facilita a localização de qualquer um - e como a plataforma se baseia também em celulares, é possível encontrar uma pessoa literlamente em tempo real.

Essa mistura toda inclui também Microsoft Messenger, icq, e-mails, last.fm, blip.fm e até, por incrível que pareça, YouTube. Agora considere o serviço MeAdiciona.com.br, que serve como um centralizador de contas - os usuários criam perfis para facilitar serem “seguidos” em outras plataformas.

É fato que a maior parte das informações pessoais que caem na internet são de responsabilidade do próprio “divulgado”, mas também existem outros méritos. Um exemplo recente foi uma acusação contra o próprio Google. Evoluindo seu trabalho com o Google Maps, a empresa já causou furor no passado com o acesso ao público de imagens de satélites.

Mais recentemente, as atenções estão voltadas para o ainda em implementação Google Street View, que, baseado em carros com câmeras, irá “mapear” o mundo todo, ou pelo menos as principais cidades, possibilitando rotas fotográficas para auxiliar os mapas. Como se já não bastassem as acusações a respeito da empresa coletar dados de usuários, o Street View foi atacado por muitos como invasão de privacidade, sendo que recentemente conflitos entre Google e a Alemanha levantaram tópicos de medidas legais regulativas. Mesmo que nada realmente ocorra, não deixa de ser, ao menos parcialmente, uma verdade.

O ponto aqui não é ficar paranóico - na Era da Informação, muito no que toca esse respeito sobre cada um de nós será inevitavelmente divulgado, mesmo se nos isolarmos desse mundo. O mínimo que podemos fazer, então, é simplesmente evitar brechas - afinal, o mundo não precisa saber que, daqui a uma hora, você irá encontrar seu melhor amigo no shopping que fica a 5 minutos da sua casa pra pegar a sessão da 21h no cinema.

Fonte: POP

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